domingo, 30 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
as borboletas que vooooaaaam d-e-d-e-n-t-r-o-d-o-p-e-i-t-o-b-a-t-t-t-t-em asas em direcção ao sol|
AS TRAÇAS EXISTEM DE FORA COMEM-NOS os tecidos
numa..............................................................................................tentativa em vão de reencontrar calor
m-a-s-t-o-d-a-s-e-l-a-s-v-o-a-m-t-o-d-a-s-e-l-a-s-v-o-l-t-a-m-a-v-o-a-r-.-.-.
AS TRAÇAS EXISTEM DE FORA COMEM-NOS os tecidos
numa..............................................................................................tentativa em vão de reencontrar calor
m-a-s-t-o-d-a-s-e-l-a-s-v-o-a-m-t-o-d-a-s-e-l-a-s-v-o-l-t-a-m-a-v-o-a-r-.-.-.
há uma que
à
outra no silencio não existe
pela
goteira que interrompe em numeração
os
dilemas em catadupa.
são
mensuráveis mas não nomeáveis,
porque
nem dilema poderá ser a sua designação.
volta
para trás,
volta
a trás,
a
janela está aberta ou hoje as ruas gritam frenéticas?
descomplica
até onde crias que não era complicado.
não
crias porque não vias, não porque não querias.
os
ombros encolhem-na espontaneamente,
numa
tentativa de proteger coisa nenhuma.
quem
pode proteger-se se de nada se defende?
é
um fluir continuo pelo orgânico,
um
seguir por racionalização nenhuma.
suportar
mais palavras hoje era ouvir mais gente
e
assim transbordavam-na no exíguo espaço.
mas
a culpa permanece perante o isolamento,
como
duas são
e uma
olhasse pela outra
um dia a falsa cigana previu-lhe um amor muito pouco falso, muito próximo e advertiu-a para a sua distracção, garantindo assim um agravamento das dioptrias nesse mesmo ano.
as dioptrias aumentaram efetivivamente e consequentemente era-lhe difícil reconhece-lo da mesma forma que lhe era reconhecer alguém do outro lado do passeio. muitas vezes acenou sem certezas, já outras preferiu ignorar, convencendo-se automaticamente de que se tratava apenas de um estranho.
um dia revolucionou-se uma opção. curar a falta de vista aumentando o coração. à delicada operação não respondeu com prontidão mas cruzando-se com sábios amigos lá se foi convencendo de que aquela era a opção ideal, embora temendo o facto do seu pequeno peito não resistir a tamanha dimensão.
à teimosa paciente foi-lhe administrado uma dose de perspectiva nunca outrora tomada e foi assim que se encaminhou heroicamente para o bloco operatório e se submeteu à experiência laboratorial. o médico, homem extremamente competente foi minucioso na sua arte e aprimorou inclusive a estética, de maneira que ela de lá saiu ela com um coração não só colorido como divertido.
mas um dia no recobro enquanto o talentoso profissional lhe ensinava as potencialidades da sua nova geringonça ela achou que era tempo de ir mostrar ao mundo a sua nova aquisição. e assim se decidiu ela em ir dançar e exibir o seu novo coração. gargalhou até ao rio e foi aí que viu imediatamente o que outrora a sua vista não alcançava e percebeu o que a cigana lhe dissera. estava realmente o amor tão perto à sua espera. e num só pulo, numa só dança percebeu que não era a visão dos seus olhos que antes entravavam a sua percepção mas que a visão referida era da intuição - o amor genuíno aquele que sabes que é tão proporcional a alguém quanto é ao mundo, à vida .
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
A última elegia (V)
Londres
| O | L | |||||||||||||
| O | F | E | S | |||||||||||
| R | S | H | E | |||||||||||
| O | O | F | C | A |
Greenish, newish roofs of Chelsea
Onde, merencórios, toutinegram rouxinóis
Forlornando baladas para nunca mais!
Ó imortal landscape
| no anticlímax da aurora! ô joy for ever! |
Na minha vida em lágrimas!
| uer ar iú |
Impassévido devorador das esterlúridas?
Darling, darkling I listen...
| "... it is, my soul, it is |
| murmura adormecida |
| sou eu, sou eu, Nabucodonosor! |
| the wa t e r | |
| Am I p | a Spider? |
| i | |
| Am I p | a Mirror? |
| e | |
| Am I s | an X Ray? |
No, I'm the Three Musketeers
| rolled in a Romeo. |
| Vírus |
Com que chegar ao coração da amiga.
| Alas, celua |
The songs of Los; e agora
| meus passos |
| são gatos |
Em lúridas, muito lúridas
Aventuras do amor mediúnico e miaugente...
So I came
| - from the dark bull-like tower |
| fantomática |
Nos bem-bons da morte e ruge menstruosamente sádica
A sua sede de amor; so I came
De Menaipa para Forox, do rio ao mar - e onde
Um dia assassinei um cadáver aceso
Velado pelas seis bocas, pelos doze olhos, pelos centevinte dedos espalmados
Dos primeiros padres do mundo; so I came
For everlong that everlast - e deixa-me cantá-lo
A voz morna da retardosa rosa
Mornful and Beátrix
Obstétrix
Poésia.
Dost thou remember, dark love
Made in London, celua, celua nostra
Mais linda que mare nostrum?
| quando early morn' |
Crepitante ainda nos aromas emolientes de Christ Church meadows
Frio como uma coluna dos cloisters de Magdalen
Queimar-me à luz translúcida de Chelsea?
Fear love...
| ô brisa do Tâmisa, ô ponte de Waterloo, ô |
Symbols of my eagerness!
| - terror no espaço! |
| - silêncio nos graveyards! |
| - fome dos braços teus! |
Só Deus me escuta andar...
| - ando sobre o coração de Deus |
Along the High... "I don't fear anything
But the ghost of Oscar Wilde..." …ô darlingest
I feared... A ESTAÇÃO DE TRENS... I had to post-pone
All my souvenirs! there was always a bowler-hat
Or a POLICEMAN around, a stretched one, a mighty
Goya, looking sort of put upon, cuja passada de cautchu
Era para mim como o bater do coração do silêncio (I used
To eat all the chocolates from the one-penny-machine
Just to look natural; it seemed to me que não era eu
Any more, era Jack the Ripper being hunted) e suddenly
Tudo ficava restful and warm... - o sííííííííí
Lvo da Locomotiva - leitmotiv - locomovendo-se
Through the Ballad of READING Gaol até a vísão de
PADDINGTON (quem foste tu tão grande
Para alevantares aos amanhecentes céus de amor
Os nervos de aço de Vercingetórix?). Eu olharia risonho
A Rosa-dos-Ventos. S. W. Loeste! no dédalo
Se acalentaria uma loenda de amigo: "I wish, I wish
I were asleep". Quoth I: - Ô squire
Please, à Estrada do Rei, na Casa do Pequeno Cisne
Room twenty four! ô squire, quick, before
My heart turns to whatever whatsoever sore!
Há um grande aluamento de microerosíferos
Em mim! ô squire, art thou in love? dost thou
Believe in pregnancy, kindly tell me? ô
Squire, quick, before alva turns to electra
For ever, ever more! give thy horses
Gasoline galore, but to take me to my maid
Minha garota - Lenore!
Quoth the driver: - Right you are, sir.
*
O roofs of Chelsea!
Encantados roofs, multicolores, briques, bridges, brumas
Da aurora em Chelsea! ô melancholy!
"I wish, I wish I were asleep..." but the morning
Rises, o perfume da madrugada em Londres
Makes me fluid... darling, darling, acorda, escuta
Amanheceu, não durmas... o bálsamo do sono
Fechou-te as pálpebras de azul... Victoria & Albert resplende
Para o teu despertar; ô darling, vem amar
À luz de Chelsea! não ouves o rouxinol cantar em Central Park?
Não ouves resvalar no rio, sob os chorões, o leve batel
Que Bilac deitou à correnteza para eu te passear? não sentes
O vento brando e macio nos mahoganies? the leaves of brown
Came thumbling down, remember?
"Escrevi dez canções...
| ... escrevi um soneto... |
| ... escrevi uma elegia..." |
Para a Inglaterra?
| "... escrevi um soneto... |
| ... escrevi uma carta..." |
| ..."que irão pensar |
| "... escrevi uma ode..." |
| Ô PAVEMENTS! |
| Ô roofs of Chelsea! |
Crumpets, a glass of bitter, cap and gown... - don't cry, don't cry!
Nothing is lost, I'll come again, next week, I promise thee...
Be still, don't cry...
| ... don't cry |
| ... don't cry |
| RESOUND |
| - até que a morte nos separe |
| ó brisas do Tâmisa, farfalhai! |
| amanhecei! |
Vinicius de Moraes
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
climbing puzzles
puz·zle (p
z
l)
z
l)
v. puz·zled, puz·zling, puz·zles
v.tr.
1. To baffle or confuse mentally by presenting or being a difficult problem or matter.
2. To clarify or solve (something confusing) by reasoning or study: He puzzled out the significance of the statement.
v.intr.
1. To be perplexed.
2. To ponder over a problem in an effort to solve or understand it.
n.
1. Something, such as a game, toy, or problem, that requires ingenuity and often persistence in solving or assembling.
2. Something that baffles or confuses.
3. The condition of being perplexed; bewilderment.
[Origin unknown.]
puz
zler n.
zler n.
Synonyms: puzzle, perplex, mystify, bewilder, confound
These verbs mean to cause bafflement or confusion. Puzzle suggests difficulty in solving or interpreting something: "The poor creature puzzled me once . . . by a question merely natural and innocent" (Daniel Defoe).
Perplex stresses uncertainty or anxiety, as over reaching an understanding or finding a solution: a dilemma that perplexed the committee.
Mystify implies defying comprehension by obscuring facts: symbolism that mystifies me.
Bewilder emphasizes extreme mental confusion: "The old know what they want; the young are sad and bewildered" (Logan Pearsall Smith).
To confound is to confuse and astonish: God hath chosen the foolish things of the world to confound the wise (I Corinthians 1:27).
(M_ss_ _ _ you)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
mãos frias coração quente
(...) a cantar as tuas respostas esqueço-me das minhas perguntas continuo sem pensar e nas tuas perco-me das minhas e continuo a querer dançar e danço danço danço e nada interessa mais porque o coração aquece tanto que estremece a razão e desabam risos em cima de nós.
então recomeçamos a dançar o coração aquece mais e erguem-se os risos espalhados no chão que não contamos quantos são por isso voltamos ao zero e recomeçamos a dançar enquanto cantas as minhas respostas esqueces-te das tuas nas minhas e dançamos dançamos dançamos e não interessa nada porque o coração aquece tanto que estremece a razão e desabam os risos em cima de nós.
então levantamo-nos, voltamos ao inicio e recomeçamos a dançar e o coração aquece ainda mais e espalhamos os risos no ar (...)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Mário Cesariny
(...)
Acredita na imortalidade?
Não sei. Quando lá chegar, eu telefono (risos)...
Acredita na imortalidade?
Não sei. Quando lá chegar, eu telefono (risos)...
Mário Cesariny, última entrevista a Vladimiro Nunes
de profundis amamus
Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso
Mário Cesariny
Faz-me o favor...
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
»cromos vivos - um projecto em perpétua germinação»
I
vivos germinam dias ininterruptos
e eis abismada engole-os sem moderação.
II
brotam com olhos loucos, terminações eriçadas, mãos de rato e línguas de camaleão.
brotam reciclados, enteados, diabos, deficientes, revoltados, velhos, endiabrados.
brotam sonhadores, experimentalistas, feministas, neuróticos, patológicos, narcóticos,
seres paranormais e experiências surreais.
III
fértil é a terra para o seu cultivo,
de um só braço se lançam as sementes,
de um só esboço primário do céu,
colhe o outro corações.
colagem de pretéritos
impressão digital
e se todas elas fogem por entre os dedos,
de quem são então as mãos que escrevem
e descrevem quem elas são?
e se todas elas se ausentam,
quem fica pensando,
detestando todas as que fogem por entre os dedos das mãos
que descrevem as mãos de que lhe fogem todas então?
só elas sabem de quem são as mãos mas se elas fogem é em vão.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Apesar de discordar sobre os 3's .
Apesar de discordar sobre os 3's . que para mim são inspirações/ expirações profundas...
"São muitos os que deitam mão a liberdades poéticas, valter hugo mãe é um caso de "liberdade gráfica". E se aboliu as maiúsculas foi para acelerar a escrita. É o que diz o escritor, que agora publica o seu quarto romance, a máquina de fazer espanhóis, o primeiro na editora Objectiva
Há sempre dois momentos na paginação de um texto de valter hugo mãe. Primeiro, alguém repara que o nome está indevidamente escrito com maiúsculas e põe tudo em caixa baixa. Depois, alguém presume que está gralhado e repõe as caixas altas. É um busílis para gráficos e revisores. Mas o aparente desprezo do escritor, que agora regressa com um novo romance, a máquina de fazer espanhóis, pelas maiúsculas não tem nada de pessoal. É antes uma questão literária, de "limpeza formal do texto". valter hugo mãe acha que as maiúsculas são uma "sinalética" que só atrapalha a leitura. "Simplificando, sintáctica e graficamente, chegamos a uma escrita mais próxima do modo como falamos", justifica. "As pessoas não falam com maiúsculas".
É a simplicidade que procura e está convicto de que usando apenas minúsculas não só o pode almejar, como "acelerar" a própria escrita. E "agilizando o texto" aproxima-o não só do ritmo da fala como do próprio pensamento. "A escrita convencional deita mão de tantos sinais que nos obriga a marcar uma distância permanente entre o que somos e o que o texto é", acrescenta. "Um texto mais acelerado permite uma respiração mais natural ao leitor encurtando essa distância".
valter Hugo mãe não é, de resto, o único a usar apenas minúsculas. Al Berto fê-lo em alguns poemas e foi através deles que tomou consciência dessa "liberdade gráfica". Assumiu-a depois por causa de Ruy Belo: "Numa dada passagem, ele diz que num poema, nenhuma palavra deve levantar a cabeça acima das outras. Levei esta imagem à letra, também por uma espécie de democracia das palavras". Em suma, uma questão de estilo que acaba por "dar coerência" e diferenciar a sua obra, quer na poesia, quer na ficção. Nem uma "graça" para dar nas vistas, nem um capricho ou uma bizarria passageira. "É uma convicção que tenho aprofundado, porque o meu estilo tem que ver com essa propensão para a aceleração, para os textos que correm com rapidez", diz. Aí, pesa também a importância da pontuação: a mínima possível, de modo a não interferir com a velocidade do pensamento e da escrita. E jamais usa reticências. Abomina esses três pontinhos que considera o "excremento da pontuação". "É uma menorização da capacidade de leitura e de compreensão. É o sinal gráfico mais insuportável, porque é um sinal de desrespeito pelo leitor, que trata como se fosse estúpido"."
fonte:
Ler mais: http://visao.sapo.pt/as-grandes-minusculas-de-valter-hugo-mae=f545016#ixzz2Dw5QDU8Swalter hugo mãe
http://giramundo-cirandeira.blogspot.pt/2011/01/um-poema-uma-entrevista-com-walter-hugo.html
"Abri e tinha uma única frase: “era o homem mais triste do mundo.” [Primeira frase do seu primeiro romance: "era o homem mais triste do mundo, como numa lenda, diziam dele as pessoas da terra, impressionadas com a sua expressão e com o modo como partia as pedras na cabeça e abria bichos com os dentes tão caninos da fome."] Não sei se foi a ligação mágica ao que eu estava a sentir, a minha vida ali parada, prossegui aquela frase até às 52 páginas escritas. Fui levado pela mão por aquele texto."
walter hugo mãe
Trechos de uma entrevista concedida a Isabel Coutinho do blog ciberescritas, em 2008.
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