sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

twigs

despistei a cabeça por um momento e lá foi ela explodindo novamente:
postes de electricidade, pontes e viadutos
- pontaria certeira do dedo mindinho
que coreografa danças de liberdade,
de desprendimento,
da rapidez que os nossos membros não têm
da projecção dos ossos na nossa direcção.
das pernas sentadas, nada inertes
todas manipuladas.

-go pro! I will, I do!

esvaziamos os bolsos do pouco que tinhamos,
mas tão mais que na noite anterior e da anterior e etc.

-this is heaven - I said
-oh baby it's not, it's you,
- it's me again!
e onde é que está o teu poema?
fs
fuck
me
h
maybe next time, nem quero bem saber,
já me fui na mesma...
e sim cantamos cheias de desejo pelo amanhã -
não, espera, é hoje, é h-h-h-hoje!
e como não posso dançar-je, escrevo, escrevo, escrevo e etc.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

loop

há dias em que penso em inglês: partida da memória colectiva. afectiva.
hoje sou eu quem fala novamente,
desamarrada de preconceitos,
estereótipos
e princesas.
sou eu, livre para ser quem sou.
com perdas, memórias, conquistas e derrotas absolutas
assumidas.
hoje sou a página em branco que antecipa o novo ano
e escrevo the end/so the beginning
e outra vez a leoparda camaleónica absolutamente irónica,
que se desfaz deste mundo, viaja de volta ao seu:
saudando ser, rir, (me) desfazer
por inteiro
voltando com o tesouro da chegada da memória colectiva. afectiva.
absoluta.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

lugares comuns

Quando um pedaço do coração se desfaz cola-se-lhe um outro de pragmatismo. 
Remendado mas inteiro assim continua cheio.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Runner-ups



eu também tenho runner-ups
mas também não sei se é real ou
se é só como me sinto.

sei agora sentada que não sou a única who
stopped running down the road da poeira, 
presa p'lo nó que o destino fez ao timo
da máquina em desatino 
cujo suor cumpre de função proteger como antibiótico
a pele artilhada do coração.

foi ainda sentada que o vento se fez eco
que trespassou a minha orelha.
pontaria certeira ao teu cabelo em combustão
todo em cor de fogo, 
com penteado fálico 
e cheio de tesão.

então fiz muralha da poeira e'água 
que aprendi a construir sem complicação
e da menina dos meus olhos fiz cadeloscópio
e do ruir da muralha fiz o ruído mais primitivo da comunicação.

falámos que as ideias eram jogos de paciência,
puzzles de peças complicadas 
de cores emaranhadas com o chão
que deve ser sempre branco e nunca daquele mesclado que, 
gera em excesso confusão...

tentámos descobrir a fórmula do tempo 
a tempo do  tempo soalheiro,
Dali de onde reinterpretámos a persistência da memória
essa velha história que nos fez rodopiar
um milhão de vezes sobre nós mesmos
e gritar em modo alucinatório: estou faminto de infinito!



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

foste à Noruega, tua nem sabes, terra

tenho o telemóvel em modo de voo
para te poder acompanhar
agora que viajas a norte,
nessa controvérsia sem sentido recto
como a linha branca intermitente da auto-estrada
que percorre a savana à direita entrecortada
pela lua magra e pelos 180 km/hora.

- vai mais devagar por favor!- peço-te.
e tu vais mais devagar ainda,
excepto na condução.

- acredita mais por favor - peço-te.
e tu dizes que não...

- fala mais alto por favor! - peço-te.
mas tu falas ainda mais baixo...
e eu quero acreditar que é porque me queres mais perto
do canal por entre o lóbulo carnudo
que ouve a respiração do meu coração.

e então,
quando se quer doce não servem os meios termos
e quando se tão salgado anseia-se por líquido -
- e é por isso que o sal tem mar!

e nós havemos de ser um pouco assim...
eu SOL-sal, tu SÓ-mar.

continua...




já tinha desistido de pendurar os quadros nas paredes,
desistindo artefactar meus espaços com delicadezas e subtilezas -
- apago sempre o meu passado e tu sabias quando me acusaste
de ser... ser sem rasto.

e tu desmascaras todas as minhas fragilidades,
não acreditas nem um pouco no molde em que me apresento.
dizes-me vezes sem conta em surdina, sempre em surdiiiinaaaa:
tu mentes!
mas se minto com quantos tenho lembra-te que já me falta um
e dois...caramba, vão pelo mesmo caminho!

e eu preciso que acredites que desta é uma vez para perder conta a todos os relógios da casa
excepto! o da cozinha para que não perca o tempo de cozedura...
e como fazer-te acreditar que juro pendurar todos os quadros na parede,
todas as fotografias encafuadas nas caixas sem vida
e que até mesmo cortinas só para que possas dormir melhor?

como dizer-te que são esses os verdes que eu já sonhara faz muito?
que as flores do jacarandá já eram nossas faz tempo?
que estamos é já atrasados pelos relógios que eu fiz desaparecer,
que tu és de uma doçura tão transparente que eu atravesso de um lado ao outro sem querer,
que o caminho foi torto e não paralelo
que somos uma linha perpendicular
numa esquina circular?

como dizer-te que nunca ninguém me fez querer tanto amar,
a vida por descobrir, os pontos mais altos sublimar numa cor fosfuorescente,
que nem cor de flor tem.
que nunca o braço de ninguém me fez querer mais abraçar,
que nunca a dor de cortar um dedo dava para alcançar
TODOS os segredos, todas as surpresa, todo o teu eu.

e que tu descubras que a minha cabeça não é assim tao redonda
que o meu corpo ja sofreu mutações camaleónicas,
que eu nem sempre sou eu...
sempre sou quem tu achas que eu sou.

e era ouvir quando dizias:
- os teus pais castigaram-te pouco!
eu sei que os teus por demais...
e admitir que tenho fraca resistencia à frustração,
que desisto com facilidade e que...
sou demasiado tolerante com-migo.

e que tudo isto se reflicta nos meu sorriso
(que até nos poemas há que ser prudente),
nas rugas da minha pele,
na incoerência da minha memória,
no meu discurso atribulado.

mas que tudo isto de certa forma é amor português,
é fado.

e mesmo que ache que não serve fazer a cama de lavado,
fazê-la.
e desfazê-la para novamente me deitar
sem perceber porque é que o alcoól me sabe a menos que o chá,
se existe alguma pulga entre os lençois
e ouvir o tim mais
e o cohen
o woody ou o ck.

e lembrar daquele poema em que adormeci incrédula de pontas num fio de electricidade,
pomba entrepostes de madeira
entre os lençois entalados que sempre me lembram o meu pai
depois de escovar todos os bichos dos dentes
de comer uma bolacha
e pedir mais um copo de água só para que ele volte mais uma vez a desejar-me: boa noite.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

me&chet&me&chet .I.

"Cold pain 
I cannot sustain it
That's what I'm thinking
Not what I'm drinking

I hold up my ways
These thoughts are pervasive 
It's not a statement
But peace can be evasive"

começa a ser impossivel exprimir seja o que for que o Chet não tenha já  feito nas mais certas palavras. talvez agora me cale para sempre.
Nunca te consegues libertar da fibra mas a fibra ajuda te a libertar de muita coisa!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Clarice Lispector

Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - Até que eu não caibo em mim e estouro em palavras.
— Clarice Lispector.

and opens doors

Love hides in the strangest places.
Love hides in familiar faces.
Love comes when you least expect it.
Love hides in narrow corners.
Love comes to those who seek it.
Love hides inside the rainbow.
Love hides in molecular structures.
Love is the answer



terça-feira, 8 de abril de 2014

Mário de Sá-Carneiro

AlcoolGuilhotinas, pelouros e castelos 
Resvalam longamente em procissão; 
Volteiam-me crepúsculos amarelos, 
Mordidos, doentios de roxidão. 

Batem asas d'auréola aos meus ouvidos, 
Grifam-me sons de côr e de perfumes, 
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes, 
Desce-me a alma, sangram-me os sentidos. 

Respiro-me no ar que ao longe vem, 
Da luz que me ilumina participo; 
Quero reunir-me, e todo me dissipo - 
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além... 

Corro em volta de mim sem me encontrar... 
Tudo oscila e se abate como espuma... 
Um disco de ouro surge a voltear... 
Fecho os meus olhos com pavor da bruma... 

Que droga foi a que me inoculei? 
Ópio d'inferno em vez de paraíso?... 
Que sortilégio a mim próprio lancei? 
Como é que em dor genial eu me eterizo? 

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu, 
Foi alcool mais raro e penetrante: 
É só de mim que eu ando delirante - 
Manhã tão forte que me anoiteceu. 

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão