quarta-feira, 28 de novembro de 2012

alberto augusto miranda / morrer à tua porta

O que eu desejava, realmente, era ir, esta noite, morrer à tua porta.
Mas mora lá tanta gente que tu podias pensar que eu não tinha morrido à tua porta.
Se ao menos o teu quarto tivesse uma varanda.
Ou se praticasse a técnica da transferência e vivesse as imagens da substituição...
ou se sinceramente amasse a minha analista.
Não sublimo os desejos por incapacidade.
E recalco mais este.
Não posso, como desejava realmente, ir morrer à tua porta.
Fico a gemer.
Se, ao menos, tu morresses!




alberto augusto miranda
linha de linho
vila real
1983

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

The Private Memoirs and Confessions of a Justified Sinner

http://www.minabraun.blogspot.pt/

Parei, ouvi e guardei.


Fala-me um pouco mais, 
Era tão bom ficar, 
O mal é que eu já não sei quem eu sou, 
Eu não sei se eu sou capaz, 
De me ouvir. 
Fala-me um pouco mais, 
Era tão bom subir, 
E dar o que eu nunca dei a ninguém. 
Sei que é bom teu travo a tudo, 
O que é mortal. 
Já agora, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez. 
Mata-me outra vez! 
Tudo tem um fim, 
E aqui não há, 
Ninguém que possa ter o mundo, 
Para dar. 
Se um dia voltar, 
Vai ser só mais uma forma, 
De me ausentar, 
Daquilo em que eu não, 
Quero pensar. 
Já tudo teve um fim, 
Já que eu, 
Estou por cá, 
Eu digo como é fácil, 
Para mim se já não dá. 
Sei que é bom teu travo a tudo, 
O que é mortal. 
Já agora, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez. 
Mata-me outra vez! 
Páro de andar, 
Páro p'ra te ouvir. 
Páro para ver se é bom p'ra mim. 
Se é melhor  que uma vida, 
Tão só e prenha de ninguém. 
E vejo que é bom dizer, 
Páro p'ra te ouvir. 
Mas foi só, 
Para ver, 
Se o futuro é para nós. 
Para quem tem o mesmo mal de, 
Não saber amar. 
Falo que, 
Pensar em mim, 
É cura e faz-me acordar. 
Ou dormir. 
Fala-me um pouco mais, 
Era tão bom subir, 
E dar o que eu nunca dei a ninguém
Sei que é bom teu travo a tudo, 
O que é mortal. 
Já agora, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez. 
Era tão bom direi, 
Mata-me outra vez.

Gift/ Leonard Cohen



    You tell me that silence
is nearer to peace than poems
but if for my gift
I brought you silence
(for I know silence)
you would say
    This is not silence
this is another poem
and you would hand it back to me

- from The Spice-Box of Earth

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

em carne viva


... emanam do meu timo, secam-me o fundo da garganta, estrangulam-me, bicam-me o canto do olho num ritmo alucinado - esse ( ) culpado - e tanto te torcem  no nó dos dedos que todos os glóbulos emergem vermelhos e temo explodir a morte em mim - o medo do fim - o inicio.


esmiuçar-te em mil partes e devorar-te inteiro - és ( ) para a imaginação.





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ABC

a lesson to learn: never put  M before D, cause then...spelling gets really confusing!