quinta-feira, 3 de setembro de 2020

vias de extinção

posso dizer que a culpa é tua, mas talvez não compreendas.


provavelmente, certamente que, quando trespassaste esses olhos de soslaio num cigarro de baixo a cima de mim, não sabias e não sabes, ainda. 


a culpa,

quando ainda continuo empenhada na playlist que não pediste,

quando nem quero saber dos vizinhos que tomaram de armazém, acampamento,

e antes disso, o acampamento também. 


ouviste mesmo, eu sei.


sentiste, tenho a certeza.


agora uma forma diferente, 

quando já não ouves. 


foda-se...

tenho a playlist quase pronta, sabes? falta só acabar, mas ando a evitá-la também.

the end,

quando não consigo deixar de encontrar futuros nas músicas que para lá levo. 

músicas que tu não pediste, da playlist que não pediste.

ainda assim desculpa, mas não acredito. 

é que nem é questão de negação, é somente intuição. 


sou boa nisto do sentir... dos sentimentos.


sabes?


era tão má, que profissionalizei-me.

demasiado.


extremos, entendes?

 

calma.

não pratico"amadoramente",


é só  inato. 


e  vai soar arrogante mas não é suposto.


vais perder. 


como não diferente das outras histórias:

um dia perdes e a minha cara sem mais pequena dose de malícia.

quando a paixão passar a compaixão de vez, vou gostar de ti,

mais ainda, 

somente. 


madeleine


"saudade é te matei de fome.

por vezes sentes saudades de quem não  sente (...)"

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

berlin is dead

I need to fuck somebody
dressed as Frida did as faking flowers upon the hair,
pretending not to care.

I got thank you for nausea though,
cause if it didn't, the dead, would be the only one happening,
or life without feelings.

and I've considered this previous before....
but none of both considers heaven too and
that sucks.

I kinda tricked myself into this since,
the first sign I recognized on your absence being,
I chosed not to see.

but can't blame me either...

so,
why the fuck do I need to fuck somebody,
if the only one I want to fuck is you?

to fucked, to think, I would have it done on top of the Turkish market, February 19!

and though so close, you weren't even near.

so,
how would that even be a possibility, besides my cruel fantasy?

so fuck yeah,
berlin is dead!

at least, to me.

even when mind crossing the hippies urban camp,
you ruined it.

and I hate you for making me feel so alive at the same time,
and you should not know this about me.

not as much, as your less efforted to know anything about else...

no, don't worry.

I'm not in love with you.

'just crashing broke in my self-love,
and the urge to spill some catharsis.

and to blame a damn thing besides my procrastination.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

lame letter to my diary

hello dear friend,

it's been a while since memory had stoped us apart!

and because I thought we would miss each other forever, only calling out for each as a beautiful past.

sure, can't still believe we're here and back together,

i still can't believe that I can reclaim you as mine, as me.

this along with the red spilled wine in grand grandfather's blanket a sign,

meaning a bless from grand grandmother's who used to type novels too.

the moon speaking right at me and recognize the sign,

i'm in love again for the life to pursue and whom somebody lighted the way again.

all the possibilities are set, 

the world showing its brief schedule,

proclaiming another wake-up call,

life reclaiming infinity.

as so, i thank you and quoting last night dream, 

secure for my purpose, for my choice,

and hope we can meet tomorrow for breakfast again!


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

morning person

a morning person é
aquela que ouve pássaros antes da madrugada
e deseja que só naquele instante a vida viaje à velocidade da luz.
e receba assim o anoitecer para novamente a ver amanhecer,

so-then-she-can-be-the-same
notívaga.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

twigs

despistei a cabeça por um momento e lá foi ela explodindo novamente:
postes de electricidade, pontes e viadutos
- pontaria certeira do dedo mindinho
que coreografa danças de liberdade,
de desprendimento,
da rapidez que os nossos membros não têm
da projecção dos ossos na nossa direcção.
das pernas sentadas, nada inertes
todas manipuladas.

-go pro! I will, I do!

esvaziamos os bolsos do pouco que tinhamos,
mas tão mais que na noite anterior e da anterior e etc.

-this is heaven - I said
-oh baby it's not, it's you,
- it's me again!
e onde é que está o teu poema?
fs
fuck
me
h
maybe next time, nem quero bem saber,
já me fui na mesma...
e sim cantamos cheias de desejo pelo amanhã -
não, espera, é hoje, é h-h-h-hoje!
e como não posso dançar-je, escrevo, escrevo, escrevo e etc.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

loop

há dias em que penso em inglês: partida da memória colectiva. afectiva.
hoje sou eu quem fala novamente,
desamarrada de preconceitos,
estereótipos
e princesas.
sou eu, livre para ser quem sou.
com perdas, memórias, conquistas e derrotas absolutas
assumidas.
hoje sou a página em branco que antecipa o novo ano
e escrevo the end/so the beginning
e outra vez a leoparda camaleónica absolutamente irónica,
que se desfaz deste mundo, viaja de volta ao seu:
saudando ser, rir, (me) desfazer
por inteiro
voltando com o tesouro da chegada da memória colectiva. afectiva.
absoluta.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

lugares comuns

Quando um pedaço do coração se desfaz cola-se-lhe um outro de pragmatismo. 
Remendado mas inteiro assim continua cheio.