domingo, 1 de janeiro de 2012

tento refazer a cena.

então acho que era assim: as pernas esticadas atiradas no reflexo das vitrinas uma após a outra, daquela avenida tão pouco portuguesa dum feriado imaculado sobrevivente ainda.

aproveito-o. pode ser o último.

refaço-o,
prometi-o.

não só refazê-lo como não projectar a beata no chão, trespassado pela estrangeirada indiferente a mim.

apeteceu-me assim jogá-la sem pudor em cima das castanhas.
assá-la beata nojenta assim como disse.
com malvadez acrescento.

refaço a cena,
então era assim: as pernas esticadas prolongadas na vitrina maiores do que mim.

a estrangeirada assada toda jogada nas castanhas também.

em vez, sou rodeada deles, finjo até ser brasileira só para não descondizer. é vergonha enfim.
respondo "sim, tem qui pidjir"

então me lembro que quase morri. na fila esperava palpitante com coração toda em vez de mim. " então o que vai ser?" "um 112 sff, deixe lá o café..."

a cena não me sai da cabeça mas é toda uma confusão.

merda merda, sim. olha e eles tiram fotos, mais recortes, mais momentos que quero esquecer, deixá-los ali.

ah!quase me esquecia:  a beata foi jogada no chão, desfazendo qualquer promessa ou especulação. desfaço-a.