segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A canção do zeloso

Zeloso vai sempre mais
longe,
p'ra meter o amanhã
no hoje.

Falo daquele zeloso
- está-se a ver -
que forceja por mudar,
não por manter.

Ser zeloso é um fervor?
Deixe-o ser,
você que é um fàznadão,
homem de ver...

Zeloso tem os seus quês?
Tem.
E às vezes não conhece
pai nem mãe.

Se o fim justifica os meios
(justifica?)
p'lo happy end ele tudo
sacrifica.

Mas o fim já não é fim,
se atingido.
E zeloso já está noutra,
comprometido.

O que às vezes acontece,
ao ferveroso,
é que se lhe parte a mola,
perde o caminho e a sola
e vira desmazeloso.

Alexandre  O'Neill 1975