sexta-feira, 18 de novembro de 2011

o titanic de cacilhas

o titanic de cacilhas - final para um filme trágico.


um cacilheiro tenta atracar no meio da tempestade. 

a população agudizada pelo terror, grita espavorida na possibilidade de naufrágio. o rio impele vertiginosamente a estrutura pacóvia contra o porto, regurgitando despojos lamacentos.

enquanto isto ela cai num pesadelo revoluto de mares bravios, profundos.

acorda aliviada por abandonar tal angústia mas heis que se apercebe que não melhor é a realidade: o cacilheiro  não atracado é agora a imensidão do vazio, outrora preenchido pelos passageiros. (nota: os outros passageiros tinham sido salvos enquanto ela dormia)

sozinha percebe que as águas, às quais rezou devoluta e incessante para não cair (para não morrer), são ironicamente a sua única salvação.

salta angustiada e nada chorosamente - as suas lágrimas enchem a maré cada vez mais alta. 

está cada vez mais longe do único contacto terrestre (uma cadeira laranja, estilo plateia da associação desportiva de coina ). 

nada em vão, sabe que nunca a conseguirá alcançar, dado o topo em que se posiciona, mas nada, nada em vão, nada.

não, nada poderia qualquer michael felps conseguir.