(e quando ela dizia que não gostava de clichés...)
leve reminiscência do teu perfume
gravado num casaco há muito não usado
- esse que melhor recordo do que a ti.
queria ter sabido mas não ouso agora
- loucura - seria perguntar.
devia ter sabido enquanto me vestia
nas manhãs morosas,
nas manhãs morosas,
preguiçosas,
perdidas nos minutos atentos ao teu covil
- impossível absorção de tanto em tampouco.
os olhos ávidos percorrendo os pormenores da tua rotina,
os olhos ávidos absorvidos nos teus eleitos.
os abraços inebriados, viciados no teu cheiro,
que nem teu era
que nem teu era
- não era tua a matéria.
ingénua crença de que nunca,
nunca seria na prateleira da perfumaria que te poderia voltar a encontrar
- e nem iria, nem era - porque era outro que se usava de ti.
leve reminiscência desse perfume que se usava de ti.