tenho o telemóvel em modo de voo
para te poder acompanhar
agora que viajas a norte,
nessa controvérsia sem sentido recto
como a linha branca intermitente da auto-estrada
que percorre a savana à direita entrecortada
pela lua magra e pelos 180 km/hora.
- vai mais devagar por favor!- peço-te.
e tu vais mais devagar ainda,
excepto na condução.
- acredita mais por favor - peço-te.
e tu dizes que não...
- fala mais alto por favor! - peço-te.
mas tu falas ainda mais baixo...
e eu quero acreditar que é porque me queres mais perto
do canal por entre o lóbulo carnudo
que ouve a respiração do meu coração.
e então,
quando se quer doce não servem os meios termos
e quando se tão salgado anseia-se por líquido -
- e é por isso que o sal tem mar!
e nós havemos de ser um pouco assim...
eu SOL-sal, tu SÓ-mar.
continua...
já tinha desistido de pendurar os quadros nas paredes,
desistindo artefactar meus espaços com delicadezas e subtilezas -
- apago sempre o meu passado e tu sabias quando me acusaste
de ser... ser sem rasto.
e tu desmascaras todas as minhas fragilidades,
não acreditas nem um pouco no molde em que me apresento.
dizes-me vezes sem conta em surdina, sempre em surdiiiinaaaa:
tu mentes!
mas se minto com quantos tenho lembra-te que já me falta um
e dois...caramba, vão pelo mesmo caminho!
e eu preciso que acredites que desta é uma vez para perder conta a todos os relógios da casa
excepto! o da cozinha para que não perca o tempo de cozedura...
e como fazer-te acreditar que juro pendurar todos os quadros na parede,
todas as fotografias encafuadas nas caixas sem vida
e que até mesmo cortinas só para que possas dormir melhor?
como dizer-te que são esses os verdes que eu já sonhara faz muito?
que as flores do jacarandá já eram nossas faz tempo?
que estamos é já atrasados pelos relógios que eu fiz desaparecer,
que tu és de uma doçura tão transparente que eu atravesso de um lado ao outro sem querer,
que o caminho foi torto e não paralelo
que somos uma linha perpendicular
numa esquina circular?
como dizer-te que nunca ninguém me fez querer tanto amar,
a vida por descobrir, os pontos mais altos sublimar numa cor fosfuorescente,
que nem cor de flor tem.
que nunca o braço de ninguém me fez querer mais abraçar,
que nunca a dor de cortar um dedo dava para alcançar
TODOS os segredos, todas as surpresa, todo o teu eu.
e que tu descubras que a minha cabeça não é assim tao redonda
que o meu corpo ja sofreu mutações camaleónicas,
que eu nem sempre sou eu...
sempre sou quem tu achas que eu sou.
e era ouvir quando dizias:
- os teus pais castigaram-te pouco!
eu sei que os teus por demais...
e admitir que tenho fraca resistencia à frustração,
que desisto com facilidade e que...
sou demasiado tolerante com-migo.
e que tudo isto se reflicta nos meu sorriso
(que até nos poemas há que ser prudente),
nas rugas da minha pele,
na incoerência da minha memória,
no meu discurso atribulado.
mas que tudo isto de certa forma é amor português,
é fado.
e mesmo que ache que não serve fazer a cama de lavado,
fazê-la.
e desfazê-la para novamente me deitar
sem perceber porque é que o alcoól me sabe a menos que o chá,
se existe alguma pulga entre os lençois
e ouvir o tim mais
e o cohen
o woody ou o ck.
e lembrar daquele poema em que adormeci incrédula de pontas num fio de electricidade,
pomba entrepostes de madeira
entre os lençois entalados que sempre me lembram o meu pai
depois de escovar todos os bichos dos dentes
de comer uma bolacha
e pedir mais um copo de água só para que ele volte mais uma vez a desejar-me: boa noite.
para te poder acompanhar
agora que viajas a norte,
nessa controvérsia sem sentido recto
como a linha branca intermitente da auto-estrada
que percorre a savana à direita entrecortada
pela lua magra e pelos 180 km/hora.
- vai mais devagar por favor!- peço-te.
e tu vais mais devagar ainda,
excepto na condução.
- acredita mais por favor - peço-te.
e tu dizes que não...
- fala mais alto por favor! - peço-te.
mas tu falas ainda mais baixo...
e eu quero acreditar que é porque me queres mais perto
do canal por entre o lóbulo carnudo
que ouve a respiração do meu coração.
e então,
quando se quer doce não servem os meios termos
e quando se tão salgado anseia-se por líquido -
- e é por isso que o sal tem mar!
e nós havemos de ser um pouco assim...
eu SOL-sal, tu SÓ-mar.
continua...
já tinha desistido de pendurar os quadros nas paredes,
desistindo artefactar meus espaços com delicadezas e subtilezas -
- apago sempre o meu passado e tu sabias quando me acusaste
de ser... ser sem rasto.
e tu desmascaras todas as minhas fragilidades,
não acreditas nem um pouco no molde em que me apresento.
dizes-me vezes sem conta em surdina, sempre em surdiiiinaaaa:
tu mentes!
mas se minto com quantos tenho lembra-te que já me falta um
e dois...caramba, vão pelo mesmo caminho!
e eu preciso que acredites que desta é uma vez para perder conta a todos os relógios da casa
excepto! o da cozinha para que não perca o tempo de cozedura...
e como fazer-te acreditar que juro pendurar todos os quadros na parede,
todas as fotografias encafuadas nas caixas sem vida
e que até mesmo cortinas só para que possas dormir melhor?
como dizer-te que são esses os verdes que eu já sonhara faz muito?
que as flores do jacarandá já eram nossas faz tempo?
que estamos é já atrasados pelos relógios que eu fiz desaparecer,
que tu és de uma doçura tão transparente que eu atravesso de um lado ao outro sem querer,
que o caminho foi torto e não paralelo
que somos uma linha perpendicular
numa esquina circular?
como dizer-te que nunca ninguém me fez querer tanto amar,
a vida por descobrir, os pontos mais altos sublimar numa cor fosfuorescente,
que nem cor de flor tem.
que nunca o braço de ninguém me fez querer mais abraçar,
que nunca a dor de cortar um dedo dava para alcançar
TODOS os segredos, todas as surpresa, todo o teu eu.
e que tu descubras que a minha cabeça não é assim tao redonda
que o meu corpo ja sofreu mutações camaleónicas,
que eu nem sempre sou eu...
sempre sou quem tu achas que eu sou.
e era ouvir quando dizias:
- os teus pais castigaram-te pouco!
eu sei que os teus por demais...
e admitir que tenho fraca resistencia à frustração,
que desisto com facilidade e que...
sou demasiado tolerante com-migo.
e que tudo isto se reflicta nos meu sorriso
(que até nos poemas há que ser prudente),
nas rugas da minha pele,
na incoerência da minha memória,
no meu discurso atribulado.
mas que tudo isto de certa forma é amor português,
é fado.
e mesmo que ache que não serve fazer a cama de lavado,
fazê-la.
e desfazê-la para novamente me deitar
sem perceber porque é que o alcoól me sabe a menos que o chá,
se existe alguma pulga entre os lençois
e ouvir o tim mais
e o cohen
o woody ou o ck.
e lembrar daquele poema em que adormeci incrédula de pontas num fio de electricidade,
pomba entrepostes de madeira
entre os lençois entalados que sempre me lembram o meu pai
depois de escovar todos os bichos dos dentes
de comer uma bolacha
e pedir mais um copo de água só para que ele volte mais uma vez a desejar-me: boa noite.