sexta-feira, 21 de junho de 2013

já num tempo em que não havia


tu precisas quem te cuide,
eu também

antes cuidámos um do outro
foi há muito tempo, num tempo que já não lembra
foi num tempo em que ainda não me sabias a diferença
num tempo que eu não te conhecia fronteiras
num tempo em que eu era tão grande que cabiam lá todos os sonhos
os meus os teus os nossos e até os dos outros

passou dum tempo que precisei que cuidasses de mim
e tu cuidaste
mas tu também és pequenino 
e eu ainda não sou grande outra vez

eu também tenho saudades de cuidar de ti
mas se não sei bem de mim

ninguém gosta dos fins porque lembram demasiado o inicio,
quando os braços eram tão grandes que jogavam às escondidas
e ganhavam sempre

sei que te preciso mas que já não sei
se te sei precisar as pontas dos dedos onde os meus se perderam
enquanto procuravam os teus

e enquanto espero por ti vejo que também de mim esperam 
e tantas vezes eu não apareci

afinal, não é egoísmo sentir falta quando se tornam mimados
os braços que se enlaçam em tanta voltas que nos deixam baralhados
quando procuramos as suas pontas:
é laço no braço ou braço enlaçado?

e não sei precisar quando foi,
porque sempre disse que não os usava

e tu sabes isto um bocadinho mas foges
porque eu sei o quanto odeias,
despedidas.