tu precisas quem te cuide,
eu também
antes cuidámos um do outro
foi há muito tempo, num tempo que já não lembra
foi num tempo em que ainda não me sabias a diferença
num tempo que eu não te conhecia fronteiras
num tempo em que eu era tão grande que cabiam lá todos os sonhos
os meus os teus os nossos e até os dos outros
passou dum tempo que precisei que cuidasses de mim
e tu cuidaste
mas tu também és pequenino
e eu ainda não sou grande outra vez
eu também tenho saudades de cuidar de ti
mas se não sei bem de mim
ninguém gosta dos fins porque lembram demasiado o inicio,
quando os braços eram tão grandes que jogavam às escondidas
e ganhavam sempre
sei que te preciso mas que já não sei
se te sei precisar as pontas dos dedos onde os meus se perderam
enquanto procuravam os teus
e enquanto espero por ti vejo que também de mim esperam
e tantas vezes eu não apareci
afinal, não é egoísmo sentir falta quando se tornam mimados
os braços que se enlaçam em tanta voltas que nos deixam baralhados
quando procuramos as suas pontas:
é laço no braço ou braço enlaçado?
e não sei precisar quando foi,
porque sempre disse que não os usava
e tu sabes isto um bocadinho mas foges
porque eu sei o quanto odeias,
despedidas.